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sábado, 12 de março de 2011

Trabalho no coração: para terminar os riscos psicossociais - Yves Clot


Suicídios em série no local de trabalho, "epidemia" de distúrbios músculo-esqueléticos, a explosão de doenças profissionais ... Uma realidade há muito tempo obscurecida está agora a cena pública francesa. Dada a amplitude da "doença ocupacional", tudo é abalado: empresas, instituições públicas, pesquisadores e especialistas. E, dado o dano causado, estão a aumentar em urgência falsas soluções que podem se transformar em "despotismo compassivo" sem resolução do mérito. É insustentável ,e a este paradoxo reagiu o trabalho do psicólogo Yves Clot  com muitos anos de experiência no campo da relação entre saúde e trabalho. Ele investigou o caso, recolhendo as várias peças do puzzle escritório no discurso oficial, a análise de situações concretas, as controvérsias científicas, opiniões e histórias. Ele mostra como a negação dos conflitos em torno da qualidade do trabalho dentro da empresa ameaçava o coletivo e envenena a vida das organizações. Yves Clot, o prazer do "bom trabalho" é a melhor prevenção contra o "stress": não existe "bem estar", sem "fazer".  Através da mobilização em torno de uma idéia nova na arte, com todos os outros interessados - empresários, sindicalistas e profissionais - aqueles que trabalham, estão na linha de frente se pode "inverter" a situação. Para concluir, finalmente, com "riscos psicossociais".

Fonte: CNAM

quarta-feira, 9 de março de 2011

Clima Organizacional

       O clima organizacional é o resultado da interação de diversos fatores pessoais e ambientais dentro de uma organização, e apresenta-se de forma difusa e sem contornos definidos. O clima organizacional  está  ligado à maneira como o colaborador percebe a organização e sua cultura, suas normas, costumes, valores, e a forma como ele reage frente a suas interpretaões(de maneira  positiva ou negativa). 
       Levando-se em consideração a pluralidade de interesses, posturas profissionais e pessoais, modos de vida e maneira de encarar o mundo, pode-se entender que dentro de uma organização não haverá conceitos e valores uniformes, portanto o modo de percepção e reação ao clima organizacinal será o mais diversificado possível, com diferentes níveis de aceitação ou rejeição de um modo particular de liderança. Ou seja, os colaboradores percebem a situação de diferentes maneiras. Para alguns será uma percepção positiva e motivadora, enquanto para outros será uma percepção desagradável e distante de  seus objetivos. O clima organizacional é das uma ferramenta administrativa que integra o Sistema de Qualidade de uma empresa. Ele pode ser compreendido como o resultado, em sua totalidade, da própria cultura, tradições e métodos da organização, onde cada novo empregado espera receber o apoio e atendendido em seus desejos econômicos, sociais e emocionais. Através da percepção que  colaborador tiver este, então, produzirá uma outra imagem da organização.


“O Clima Organizacional é um conjunto de valores, atitudes e padrões de comportamento, formais e informais, existentes em uma organização. Ele retrata o grau de satisfação material e emocional das pessoas no trabalho. Observa-se que este clima influência profundamente a produtividade do indivíduo e, consequentemente da empresa. Assim sendo, o mesmo deve ser favorável e proporcionar motivação e interesse nos colaboradores, além de uma boa relação entre os funcionários e a empresa." (LUZ. R. CLIMA ORGANIZACIONAL, 2007).


quinta-feira, 3 de março de 2011

CIAPOT 2011

Será realizado nos dias 14, 15 e 16 de abril de 2011, em Florianópolis -SC, o II Congresso Iberoamericano de Psicologia das Organizações e do Trabalho.


A RIPOT – Rede Iberoamericana de Psicologia das Organizações e do Trabalho tem como objetivo desenvolver a investigação, o intercâmbio científico e acadêmico e a comunicação na área. Entre suas ações, tem como proposta promover congressos bienais.

Neste segundo evento certamente firmaremos uma trajetória de encontros entre profissionais, pesquisadores, professores e estudantes interessados nos estudos da Psicologia e de suas aplicações ao campo amplo da produtividade humana. Temos como tema central, desta vez, os Processos Psicossociais nas Organizações e Trabalho, cuja relevância vem sendo acentuada na literatura científica internacional e nas intervenções práticas dos profissionais preocupados com a saúde, a qualidade de vida e o bem-estar no atual mundo do trabalho.


Informações: http://www.ciapot2011.com.br/index.php

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Ergologia

         Ergologia quer dizer estudo da atividade humana. Assim, as questões do trabalho e das empresas do mundo econômico estão presentes nos estudos da ergologia. O trabalho não se reduz a uma prestação remunerada de serviço em uma sociedade mercantil de direito, embora tenha também esta dimensão, mas ocupa lugares relevantes na vida e na saúde dos humanos.
         A Ergologia não é uma disciplina no sentido de um novo domínio do saber mas, sobretudo, uma disciplina de pensamento. Essa disciplina ergológica é própria às atividades humanas e distinta da disciplina epistêmica que, para produzir saber e conceito no campo das ciências experimentais deve, ao contrário, neutralizar os aspectos históricos. A ergológica, mesmo tendo como objetivo construir conceitos rigorosos, deve indicar nestes conceitos como e onde se situa o espaço das (re) singularizações parciais, inerentes às atividades de trabalho. Para Yves Schwartz, o percusor da Ergologia, o conceito de atividade exibe três características:
transgressão: expressa as tensões entre o que é formalizado pelas normas e conceitos e  o informal, o que não é bem codificado ao nível da linguagem;
- mediação: aspecto dinâmico dessa transgressão que, nas atividades de trabalho se apresenta como algo obscuro porque encontra-se incorporado nos corpos dos sujeitos;
- contradição: instaura um debate de normas em que cada sujeito é convocado a gerir quotidianamente suas ações.
       As características do conceito de atividade nos remetem ao debate que tem por objeto o campo da ética. Na avaliação do autor, nossa vida social tem uma tendência a dissociar o uso prático da razão e a atividade humana, de modo a negligenciar o trabalho como uma dimensão fundamental da atividade humana.


Texto baseado no artigo: REFLEXÕES EPISTEMOLÓGICAS SOBRE A ERGOLOGIA

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Melhor livro 2010 é de Yves Clot

             Quando criei este blog foi com o intuito de apresentar informações, e promover discussões acerca das questões do mundo do trabalho. Porém, nessa postagem gostaria de compatilhar com os leitores uma experiência pessoal. "Durante a apresentção do meu trabalho monográfico de graduação, a coordenadora do curso (uma das avaliadoras em minha banca) fez a seguinte colocação: "... você fala sobre a obra de Yves Clot com muita propriedade, e com muita segurança. Você diz como quem está falando de algo em que realmente acredita. Isso é muito bacana." Eu lhe respondi: sim, eu realmente estou dizendo de algo que acredito."
          Minha admiração pelo trabalho de Yves Clot começou durante a leitura de seu livro,  " A Função Psicológica do Trabalho", e desde então, se fez apenas crescer e consolidar-se cada vez mais. Como não admirar alguém que tem como premissa de seu trabalho a ética, e o respeito?


"Os psicólogos da análise do trabalho francofônica desbravaram um valioso caminho de possibilidades e deixaram uma rica herança para aqueles que perpetuam os estudos em análise do trabalho. Eles são para mim objeto de grande respeito, porque são eles que me permitiram introduzir-me no oficio que exerço atualmente; no fundo quando eu faço a clínica da atividade é sempre pensando nos antigos, que nos deixaram uma herança que não podemos comprometer. (Yves Clot,2007)."


Yves Clot, é o vencedor do melhor livro 2010 sobre o mundo do trabalho para a "classe" de peritos

 Depois de várias semanas de discussão e deliberação terminou 25 de janeiro de 2011, os membros do júri de especialistas, presidido por Jean Auroux e composta por outros  profissionais, que escolheram o vencedor do melhor livro sobre mundo do trabalho a partir de uma seleção de cinco livros publicados em 2010. Prêmio para melhor livro sobre o mundo do trabalho escrito por um especialista é concedido para: Yves Clot, autor de  "A Obra em Couer: para acabar com os riscos psicossociais". (Fonte: CNAM)

 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Psicodinâmica do Trabalho


A origem da psicodinâmica do trabalho está nos estudos realizados por Le Guillant, em psicopatologia do trabalho, porém, ela sofre um processo revolucionário a partir dos estudos de Christophe Dejours. O que passa a ocupar seu centro de discussões não é mais a patologia, e sim a normalidade. O que leva Dejours a mudar o foco dessa análise é o fato de os trabalhadores conseguirem manter um certo equilíbrio psíquico, mesmo diante de situações laborais muito adversas. Utilizando a psicanálise freudiana como base teórica, a psicodinâmica do trabalho parte do pressuposto de que há uma anulação do livre comportamento do sujeito, e se propõe a estudar esse espaço. O espaço entre o livre comportamento e o comportamento esteriotipado, ou seja, ela se propõe a estudar o lugar do sofrimento. (...). As situações de risco, nas quais os sujeitos frequentemente se encontram, constatam que as atitudes de negação do risco que eles apresentam não podem ser tomadas rigorosamente. (...) As atitudes de negação do sofrimento não são nem uma ignorância nem uma inconsciência, elas são sobretudo um procedimento psicológico destinado a conter o medo. Este é um sistema de defesa utilizado pelo sujeito para lidar com determinada situação.
A psicodinâmica do trabalho está voltada para a coletividade e não apenas para o sujeito, portanto, suas intervenções são direcionadas à organização do trabalho. Ela considera que as agressões sofridas pelo Ego, produzem fantasmas, que estão ligados ao que é quase insuportável, o desejo de mudança e a possibilidade de sublimar (sua base teorica é a psicanálise freudiana). A psicodinâmica do trabalho faz uma exposição das possíveis agressões psíquicas provenientes da organização do trabalho e possibilita identificá-las antes de se tornarem uma patologia. A partir disso, pode-se pensar quais efeitos negativos o trabalho gera para o sujeito, causando-lhe sofrimento psíquico. (...). Por meio do diagnóstico, é possível entender a relação estabelecida entre trabalho e doença, bem como propor uma intervenção eficaz precocemente, com o objetivo de detectar e erradicar o problema em um estágio ainda prematuro.
  

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Não atuamos pela cisão

           Quase nenhum estudioso da psicologia ousaria negar a dificuldade histórica de concebê-la como uma ciência una. A diversidade marca esse campo do saber e se mostra evidente desde a concepção do que seja essa ciência até os métodos e as abordagens teóricometodológicas que sustentam a produção do conhecimento e as respectivas práticas. 
            Talvez um dos campos de produção científica e de atuação prática que se constitui alvo preferido de controvérsias seja o que tem como objetos o “trabalho” e as “organizações” nas quais ele frequentemente ocorre, historicamente tratados como partes de um mesmo fenômeno. Deparamo-nos hoje, novamente, com a difusão de um discurso promotor daquela cisão, veiculado por pessoas ligadas direta ou indiretamente a grupos detentores de recursos políticos e financeiros, que criaram bases de poder duradouras em algumas instâncias institucionalizadas de interlocução da psicologia brasileira. Tal discurso é de que só será possível uma psicologia do trabalho plenamente comprometida com os interesses do trabalhador, se houver uma cisão com uma psicologia das organizações, que estaria supostamente comprometida com os interesses do capital e contra os trabalhadores. O mencionado discurso ignora o fato de que aqueles que atuam com tais objetos, por serem historicamente alvos de críticas, talvez sejam os que mais incorporaram tais críticas, aproveitando-as de modo frutífero para repensar seus princípios, valores, teorias e métodos. Portanto, ultrapassaram a visão restritiva de conceber apenas um campo de aplicação especialmente focado nas empresas e indústrias. O conceito de “trabalho” hoje ocupa o foco da indagação do que seria fazer uma ciência psicológica voltada para o estudo dessa importante e central atividade humana e social, bem como para o “organizar” como processo inerente a toda constituição social.
            A partir dos processos seletivos, os profissionais começaram a se preocupar com várias questões, como a organização do trabalho, a análise de tarefas e de postos de trabalho, as condições de trabalho dos empregados, dentre outras. O centro das atenções se restringia às questões relacionadas às atividades e às tarefas, mas os limites profissionais ampliaram-se e questões outras foram se somando ao escopo inicial, como as políticas organizacionais de recompensas e punições e seus impactos nos sentimentos de justiça do trabalhador, em sua saúde e seu bem-estar, e na sua eficiência e efetividade. Como seria, então, possível fazer uma psicologia apenas voltada para o “trabalho”, sem pensar nas “organizações” em que ele ocorre?  
             É impossível, na prática, dissociar o conceito de “organizações” do conceito de “trabalho”. Um lócus diferenciado de trabalho, desejado por aqueles que anseiam por um emprego, são as organizações. Elas existem para possibilitar o alcance de metas dos seus membros-dirigentes (quer sejam proprietários ou agentes públicos no exercício do poder organizacional), parceiros de todos os status da organização. Embora algumas metas individuais se diferenciem de pessoa para pessoa, outras são comuns e compartilhadas. A sobrevivência da organização, do âmbito público, privado ou do terceiro setor, é recomendável e deve ser buscada por todos os seus membros que desejam um emprego. Dificilmente é possível pensar em atingir objetivos pessoais que não passem pelos objetivos coletivamente compartilhados.


Este texto é basedo no manisfesto "Psicologia do trabalho e das organizações: não atuamos pela cisão", da SBPOT, e todos os créditos autorais pertence a este autor.